Historial:
Breve historial do projecto Rede Regional de Museus e perspectivas de desenvolvimento
De entre uma proliferação crescente – tal como no todo nacional – de experiências museológicas dispersas pelo território, e onde as tutelas e as temáticas são plurais, a Rede Regional de Museus dos Açores compreende os oito museus tutelados pela Presidência do Governo/ Direcção Regional da Cultura que, no seu conjunto, expressam a diversidade da cultura regional.
Com histórias e processos de criação diferentes e descontínuos temporalmente, os oito museus distribuem-se por oito das nove ilhas do arquipélago: Museu de Santa Maria, na ilha de Santa Maria; Museu da Graciosa, na ilha Graciosa; Museu Francisco de Lacerda, na ilha de S. Jorge; Museu do Pico, na ilha do Pico; Museu das Flores, na ilha das Flores; Museu Carlos Machado, na ilha de S. Miguel; Museu de Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, e Museu da Horta, na ilha do Faial.
Com competências ao nível da "recolha, conservação e exposição dos testemunhos materiais e bens imateriais do homem e do seu meio ambiente, para fins de estudo, conservação, educação e recreio", estabelecidas no documento regulador do regime geral dos museus da rede, o Decreto Regulamentar Regional n.º 13/2001/A, de 7 de Novembro, os museus agrupam-se em Museus Regionais "quando abrangem o património cultural existente na Região independentemente da sua origem" (sendo o caso do Museu Carlos Machado, do Museu Angra do Heroísmo, do Museu do Pico e do Museu da Horta) e Museus de ilha "quando, preferencialmente, aglutinam aspectos representativos das actividades culturais, económicas e sociais da ilha onde se localizam" (Museu de Santa Maria, Museu da Graciosa, Museu Francisco de Lacerda e Museu das Flores).
Na óptica do organismo coordenador, importa, nesta fase, pautar as práticas correntes dos museus por critérios profissionais normalizados pelo que se têm acentuado esforços quer ao nível da formação profissional, quer ao nível da produção de textos legais.
Assim, no primeiro destes vectores, refira-se a colaboração, regulada por Protocolo de Colaboração, com a EP-RPM, de onde se destaca a realização de Acções de Formação dirigidas aos Técnicos dos museus da Região.
Internamente, porém, promoveram-se também, desde 1996, momentos de formação ("Curso sobre Noções Básicas de Museografia", com a seguinte organização disciplinar e carga horária: Introdução à Museologia. Documentação museológica – 30 horas; Fotografia para inventário. Noções básicas – 30 horas; Noções de conservação preventiva e manuseamento de objectos museológicos – 30 horas; Avaliação dos trabalhos práticos e apreciação da ficha de projecto – 30 horas; Património Artístico nos Açores – 30 horas) a par do incentivo de formação de nível superior (pós-graduações e mestrados na área da museologia) proporcionando aos técnicos superiores das instituições museológicas pertencentes à rede regional.
No segundo ponto aludido, e de entre as iniciativas legais mais recentes, destaca-se a publicação do Regulamento Interno dos Museus, cuja pertinência radica na constatação de que tal instrumento se torna decisivo na promoção e na aplicação prática de normas profissionais, e na optimização da qualidade dos serviços que os museus prestam ao público pelo que a Portaria 69/2004, de 12 de Agosto, aprovou o Regulamento Interno Geral dos Museus da Rede Regional e os regulamentos específicos de cada museu.
Mas o universo das estratégias de intervenção junto dos museus da rede tem outras âncoras. De facto, e como a informatização dos inventários dos acervos museológicos é uma prioridade desde 1996, cuja implementação se tem vindo a verificar desde 1998, em 2005, e com o apoio do Programa Comunitário PRAIAÇORES, deu-se início ao Projecto Museus em Rede – Século XXI.
Basicamente, pretende-se promover a divulgação do património móvel existente nos museus dependentes da Direcção Regional da Cultura, através da utilização das novas Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC), potenciando a capacidade de divulgação dos museus junto dos seus públicos. A criação de um portal na Web e a disponibilização pública de uma base de dados e conteúdos didácticos sobre o património regional, além do incremento da comunicação entre os profissionais dos museus, são as tónicas deste projecto.
Ainda neste contexto, foram os museus da rede dotados com mais equipamentos informáticos e promovida a acção de formação "Documentação de colecções e divulgação em museus". Dirigida aos técnicos superiores e profissionais de museografia, a realização, a cargo do Conservador do Museu Carlos Machado Dr. João Paulo Constância, teve como objectivos a consolidação de conhecimentos relativos às funcionalidades avançadas da aplicação DocBase, responsável pela gestão dos inventários museológicos, e o contacto com ferramentas informáticas essenciais para a inventariação e divulgação do património cultural ao nível dos audiovisuais.
Aliás, a preocupação com a divulgação e a optimização de contactos deu origem a um outro projecto: a edição da iM – intermuseus, folha informativa dedicada à divulgação dos museus açorianos e que já conta com cinco números.Na esteira das preocupações actuais, avulta, ainda, a implementação de um sistema informatizado de bilhética que se prevê estar em funcionamento a partir de Janeiro de 2006, a montagem do Núcleo de Arte Sacra do Museu Carlos Machado e a conclusão do projecto de musealização do Museu da Industria Baleeira de S. Roque do Pico, extensão do Museu do Pico.